Mounjaro tem efeito rebote? O que acontece ao parar

Na média, sim. No ensaio SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo recuperou 14% do peso em um ano, e metanálises estimam que cerca de 60% do peso perdido volta no primeiro ano sem esses remédios. A variação é grande, e somar exercício supervisionado ajudou a manter o peso num ensaio com liraglutida.
A pergunta aparece de todo jeito: "e quando parar, engorda tudo de novo?". Quem pesquisa Mounjaro efeito rebote encontra relatos opostos, de quem voltou ao peso antigo em poucos meses e de quem parou e não engordou. Os dois acontecem. O que os estudos mostram é a média, o tamanho da variação entre as pessoas e o que parece ajudar a segurar o resultado.
A resposta curta
Sim, na média o peso volta. No ensaio SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo depois de 36 semanas recuperou 14% do peso em um ano, enquanto quem continuou perdeu mais 5,5%. Uma metanálise de 2026 estimou que, um ano depois de parar esse tipo de remédio, cerca de 60% do peso perdido já voltou.
Mas a variação é grande: numa análise do mesmo ensaio, cerca de uma em cada seis pessoas que trocaram por placebo recuperou menos de um quarto do que tinha perdido. E, num ensaio com liraglutida, quem tinha feito exercício supervisionado junto com o remédio segurou melhor o peso um ano depois do fim do tratamento. Parar, continuar ou mudar o remédio é decisão do médico.
O que o SURMOUNT-4 mediu
O SURMOUNT-4 foi publicado em 2024 no JAMA e desenhado exatamente para responder essa pergunta. Adultos com obesidade, ou sobrepeso com alguma complicação, e sem diabetes, usaram tirzepatida por 36 semanas. Depois, 670 participantes foram sorteados: metade continuou com o remédio e metade passou a receber placebo, sem saber, por mais 52 semanas. Todos seguiam com orientação de dieta e atividade física.
| Momento | Continuou com tirzepatida | Trocou por placebo |
|---|---|---|
| Primeiras 36 semanas (todos com o remédio) | Perda média de 20,9% do peso | |
| Da semana 36 à 88 | Perdeu mais 5,5% | Recuperou 14,0% |
| Manteve pelo menos 80% do que perdeu | 89,5% | 16,6% |
| Resultado total, do início à semana 88 | 25,3% a menos | 9,9% a menos |
A conclusão dos autores é direta: retirar a tirzepatida levou a uma recuperação substancial do peso perdido, enquanto continuar o tratamento manteve e ampliou a perda.
Repare na última linha: mesmo quem trocou por placebo terminou, em média, quase 10% mais leve do que no início. O peso voltou em boa parte, mas não inteiro, dentro do tempo do estudo.
Não é só o Mounjaro
O mesmo padrão aparece com outros remédios da família, e com uma velocidade que chama atenção.
- Semaglutida. Na extensão do ensaio STEP 1, publicada em 2022 na Diabetes, Obesity and Metabolism, 327 participantes foram acompanhados por um ano depois de parar o remédio e as orientações de estilo de vida. Eles tinham perdido em média 17,3% do peso e recuperaram 11,6 pontos percentuais, ou seja, cerca de dois terços do que tinham perdido.
- Todos os remédios para emagrecer. Uma metanálise publicada em 2026 no BMJ reuniu 37 estudos com 9.341 participantes. Depois de parar, o peso voltou em média 0,4 kg por mês, e a volta foi mais rápida do que depois do fim de programas de mudança de comportamento, independentemente de quanto a pessoa tinha perdido.
- O desenho da curva. Uma metanálise de 2026 na eClinicalMedicine modelou a trajetória com seis ensaios e 3.236 participantes. Um ano depois de parar, cerca de 60% do peso perdido tinha voltado. Projetando adiante, a recuperação tenderia a se estabilizar em torno de 75% do peso perdido, e não em 100%. Essa parte é extrapolação, e os autores dizem isso.
O que volta junto com o peso
O efeito rebote não é só na balança. Na extensão do STEP 1, a maior parte das melhoras cardiometabólicas obtidas com a semaglutida voltou para perto do valor inicial um ano depois de parar. A metanálise do BMJ projetou que todos os marcadores cardiometabólicos voltariam ao ponto de partida em cerca de 1,4 ano.
No SURMOUNT-4, uma análise publicada em 2026 no JAMA Internal Medicine separou os 308 participantes que tinham perdido pelo menos 10% do peso e depois trocaram por placebo, conforme quanto do peso perdido eles recuperaram:
| Quanto do peso perdido voltou | Pessoas | Aumento médio da cintura |
|---|---|---|
| Menos de 25% | 54 | 0,8 cm |
| De 25% a 50% | 77 | 5,4 cm |
| De 50% a 75% | 103 | 10,1 cm |
| 75% ou mais | 74 | 14,7 cm |
Quanto maior a volta do peso, maior foi a piora de cintura, pressão, colesterol não-HDL e hemoglobina glicada. E o dado que responde a quem diz "parei e não engordei": 54 dos 308, cerca de um em cada seis, recuperaram menos de um quarto do peso perdido, e nesse grupo a cintura, o colesterol não-HDL e a insulina não mudaram de forma significativa. A pressão, porém, subiu mesmo nesse grupo, e a maioria dos participantes recuperou 25% ou mais do peso em um ano.
O que o exercício mudou depois do fim do tratamento

Ainda não existe ensaio publicado que teste exercício no momento de parar a tirzepatida. O dado mais próximo vem de um ensaio feito em Copenhague com liraglutida.
Nele, adultos com obesidade perderam em média 13,1 kg com uma dieta de baixa caloria e depois passaram um ano em um de quatro grupos: exercício supervisionado, liraglutida, os dois juntos ou placebo. Uma análise publicada em 2024 na eClinicalMedicine voltou a medir essas pessoas um ano depois do fim do tratamento:
- No ano sem tratamento, quem tinha usado só a liraglutida recuperou 6,0 kg a mais do que quem tinha feito só exercício supervisionado.
- Quem tinha feito a combinação estava 5,1 kg mais leve e com 2,3 pontos a menos de gordura corporal do que quem tinha usado só o remédio, comparando com o peso do início do ano de tratamento.
- Quem tinha feito a combinação teve chance bem maior de manter uma perda de pelo menos 10% do peso inicial do que quem tinha usado placebo ou só o remédio.
A interpretação dos autores: somar exercício supervisionado ao remédio parece melhorar a manutenção do peso depois do fim do tratamento, e o peso e a composição corporal se mantiveram um ano depois do fim do programa de exercício. Duas ressalvas: só 109 participantes voltaram para a avaliação final, e o remédio era a liraglutida, não a tirzepatida.
Uma revisão narrativa de 2026 sobre exercício durante e depois desses remédios chega à mesma direção, mas avisa que nenhum ensaio randomizado avaliou diretamente o exercício no momento de parar. O que o treino faz durante o uso, e por que as sociedades médicas o recomendam, está em Mounjaro e musculação.
Então tem que usar para sempre?
As sociedades médicas tratam a obesidade como doença crônica, e é por isso que a pergunta aparece. Em 2026, a orientação da The Obesity Society, da Obesity Medicine Association e da Obesity Action Coalition, feita pelo método GRADE, deu recomendação forte para continuar o remédio para obesidade na fase de manutenção do peso. O documento afirma que interromper o tratamento sem motivo, como efeitos colaterais ou gravidez, costuma levar à falha do tratamento.
Os autores da extensão do STEP 1 chegaram a uma conclusão parecida: os resultados confirmam que a obesidade é crônica e sugerem que o tratamento contínuo é necessário para manter a melhora de peso e de saúde.
Isso não significa que ninguém deva parar, nem que o remédio seja a única saída. Significa que parar é uma decisão clínica, que deve ser planejada com o médico, considerando os motivos, os riscos e o que vai sustentar o resultado depois. O que muda entre as canetas e as regras da Anvisa estão em canetas emagrecedoras: qual a diferença.
E o músculo nessa história?
Durante o uso, parte do peso perdido é massa magra, como mostram os dados do SURMOUNT-1 em Mounjaro perde massa muscular? A revisão narrativa de 2026 levanta a preocupação de que a volta do peso seja proporcionalmente mais de gordura, o que tornaria a situação mais desfavorável, mas essa hipótese ainda se apoia em evidência indireta.
O que se sabe com mais segurança é o que protege durante o tratamento: treino de força regular e proteína suficiente, assunto de proteína tomando Mounjaro.
O que este artigo não responde
Se e quando você deve parar. Essa decisão é do seu médico, com base na sua saúde e no seu histórico.
Como parar. Este blog não publica esquema de dose nem de redução de remédio.
Por que algumas pessoas quase não recuperam o peso. Os estudos mostram que isso acontece com uma minoria, mas não explicam com segurança quem são essas pessoas.
O que acontece depois de dois ou três anos sem o remédio. Os ensaios acompanharam principalmente o primeiro ano; o que vem depois é, em boa parte, projeção.
O resumo em cinco linhas
- No SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo recuperou 14% do peso em um ano.
- Em média, cerca de 60% do peso perdido volta no primeiro ano depois de parar esses remédios.
- Pressão, glicose e colesterol tendem a voltar junto com o peso.
- Cerca de um em cada seis recuperou menos de um quarto do peso perdido.
- Com liraglutida, quem somou exercício supervisionado segurou melhor o peso um ano depois do fim.
O remédio passa; o hábito de treinar é o que fica
Antes: o peso caiu com o remédio, mas o treino nunca virou rotina, e a ideia de parar vem com medo de perder tudo.
Depois: a ficha parte da sua anamnese, cada treino fica registrado e a regularidade aparece semana a semana, com ou sem remédio.
A ponte: no Make4Fit a IA tira dúvida de treino 24 horas por dia, e as decisões sobre o remédio ficam com o seu médico. Treino, dieta e avaliação entram no mesmo plano, e o valor está na página.
Referências
- Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA, 2024. 670 participantes.
- Horn DB, Linetzky B, Davies MJ, et al. Cardiometabolic Parameter Change by Weight Regain on Tirzepatide Withdrawal in Adults With Obesity: A Post Hoc Analysis of the SURMOUNT-4 Trial. JAMA Internal Medicine, 2026. 308 participantes.
- Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022. 327 participantes.
- West S, Scragg J, Aveyard P, et al. Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis. BMJ, 2026. 37 estudos.
- Budini B, Luo S, Tam M, et al. Trajectory of weight regain after cessation of GLP-1 receptor agonists: a systematic review and nonlinear meta-regression. eClinicalMedicine, 2026.
- Jensen SBK, Blond MB, Sandsdal RM, et al. Healthy weight loss maintenance with exercise, GLP-1 receptor agonist, or both combined followed by one year without treatment: a post-treatment analysis of a randomised placebo-controlled trial. eClinicalMedicine, 2024.
- Alexander L, Purnell JQ, Burridge K, et al. Joint TOS/OMA/OAC Expert Guidance Statement on the Pharmacological Management of United States Adults With Overweight or Obesity Using the GRADE Approach. Obesity, 2026.
- Zeigler Z, Havenar J, Smith E, et al. Structured Exercise During and After Incretin-Based Pharmacotherapy Discontinuation: A Narrative Review of Mechanisms, Evidence, and Prescription Guidance. Healthcare, 2026.
Antes de decidir qualquer coisa
Este texto é informativo e não substitui consulta. Nenhuma informação aqui serve como recomendação para o seu caso: quem pode avaliar o seu histórico, seus exames e o que é seguro para você é um médico, um nutricionista ou um profissional de educação física registrado. Quem escreve e revisa este blog não é profissional de saúde habilitado.
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