Doenças comuns em idosos: o retrato do Brasil

Revisado por Gabriel Totino10 min de leitura
Casal de idosos medindo a pressão com aparelho digital em casa

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, a mais comum é a pressão alta, relatada por 56,6% das pessoas de 65 a 74 anos e 62,1% das com 75 ou mais. Depois vêm problemas de coluna, colesterol alto, diabetes e doenças do coração, e 51,6% dos idosos têm duas ou mais doenças crônicas.

Pressão alta, diabetes, dor nas costas, colesterol: quem passou dos 60 anos, ou cuida de alguém que passou, conhece bem a lista. As doenças comuns em idosos no Brasil foram medidas pelo IBGE numa pesquisa nacional, e os números ajudam a entender duas coisas: quais são as mais frequentes e por que, depois de certa idade, o normal é conviver com mais de uma ao mesmo tempo. Este texto mostra esse retrato e o caminho para o que a atividade física pode fazer em cada caso.

A resposta curta

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, a doença crônica mais relatada por idosos é a pressão alta: 56,6% das pessoas de 65 a 74 anos e 62,1% das com 75 anos ou mais disseram ter o diagnóstico médico. Depois vêm os problemas crônicos de coluna, o colesterol alto, o diabetes e as doenças do coração.

E elas raramente vêm sozinhas: 51,6% dos idosos brasileiros têm duas ou mais doenças crônicas. Para a maioria dessas condições, a atividade física faz parte do cuidado, com adaptações que dependem de cada doença e de avaliação individual.

O retrato no Brasil

A Pesquisa Nacional de Saúde é feita pelo IBGE com o Ministério da Saúde e ouve moradores de todo o país. Em 2019, ela perguntou se a pessoa já tinha recebido de um médico o diagnóstico de cada doença. Estes são os percentuais por faixa de idade:

Condição com diagnóstico médico65 a 74 anos75 anos ou mais
Pressão alta56,6%62,1%
Problema crônico de coluna31,8%30,3%
Colesterol alto28,7%24,4%
Diabetes21,9%21,1%
Doença do coração12,8%17,4%
Câncer (já teve algum diagnóstico)6,9%8,9%
AVC—9,5%
Insuficiência renal crônica—3,1%

Para comparar: entre as pessoas de 30 a 59 anos, a pressão alta aparecia em 20,3%, e entre as de 18 a 29, em 2,8%. A diferença mostra o quanto a idade pesa. Nas linhas com traço, a pesquisa publicou o número só para a faixa de 75 anos ou mais, a mais alta entre os adultos.

No caso do diabetes, a pesquisa também perguntou sobre complicações. Entre as pessoas de todas as idades com diagnóstico e alguma complicação, as mais frequentes foram problemas na vista (29,3%), problemas nos rins (9,5%) e infarto ou AVC (7,2%).

Duas observações importantes. Primeira: são diagnósticos relatados pelas próprias pessoas, e quem nunca foi ao médico ou nunca fez exame pode ter a doença sem saber. A própria pesquisa lembra, por exemplo, que parte da população nunca tinha feito exame de sangue para medir a glicose. Segunda: algumas condições muito importantes na velhice, como demência, Parkinson, osteoporose e sarcopenia, não aparecem nessa tabela, mas têm peso grande na autonomia e estão tratadas mais abaixo.

O normal é ter mais de uma

Um estudo publicado em 2024 na Revista Brasileira de Enfermagem analisou os dados da mesma pesquisa, com 22.728 idosos de todos os estados, e mediu a multimorbidade, que é ter duas ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo:

GrupoCom duas ou mais doenças crônicas
Todos os idosos51,6%
Mulheres57,9%
Homens43,2%
60 a 69 anos48,1%
70 a 79 anos55,6%
80 anos ou mais57,4%

Os autores encontraram associação entre ter várias doenças e ser mulher, ter 80 anos ou mais, ter baixa escolaridade, ter fumado no passado, fazer atividade física insuficiente e passar três horas ou mais por dia diante de telas. Por ser um estudo de um único momento, ele mostra associação, não causa.

Isso importa porque a multimorbidade tem consequência no dia a dia. Outro estudo com os dados de 2019, publicado em 2023 na PLOS ONE, mostrou que idosos com duas ou mais doenças crônicas tinham mais que o dobro da chance de ter dificuldade em atividades básicas, como tomar banho e se vestir, e em atividades como fazer compras, tomar remédios e usar transporte. No total, 8,5% dos idosos tinham dificuldade em alguma atividade básica e 18,6%, em alguma das atividades do segundo grupo.

A depressão também entra na lista

A mesma pesquisa do IBGE mediu o diagnóstico de depressão feito por profissional de saúde mental. Entre todos os adultos, 10,2% relataram o diagnóstico. A faixa de idade com a maior proporção foi justamente a de 60 a 64 anos, com 13,2%. Entre as mulheres adultas, o percentual foi de 14,7%, contra 5,1% entre os homens.

A partir dos 60 anos, a proporção de quem tinha o diagnóstico e usava remédio para depressão ficou acima da média nacional: 56,3% entre 60 e 64 anos, 56,8% entre 65 e 74 e 61,9% com 75 anos ou mais.

A diretriz da OMS de 2020 inclui a redução de sintomas de ansiedade e depressão entre os benefícios da atividade física. Isso não substitui o tratamento, mas é mais um motivo para o exercício fazer parte do cuidado.

Quanto os idosos se mexem

A pesquisa também mediu atividade física, e os números explicam parte do problema:

Indicador da PNS 2019Pessoas com 60 anos ou mais
Insuficientemente ativas59,7%
Com o nível recomendado de atividade física no lazer19,8%

"Insuficientemente ativo", na pesquisa, é quem fez menos de 150 minutos por semana somando lazer, trabalho e deslocamento para o trabalho. O indicador não conta as tarefas domésticas. Para comparar, entre os jovens de 18 a 24 anos, 41,0% atingiam a recomendação no lazer. A atividade física no tempo livre cai com a idade justamente na fase em que as doenças crônicas aumentam.

Quais doenças mais tiram a autonomia

Nem toda doença pesa igual no dia a dia. Um estudo publicado em 2024 na BMC Public Health usou a edição anterior da pesquisa, de 2013, com 11.177 idosos, e mediu quais doenças estavam mais associadas à dependência grave para atividades básicas, como comer, tomar banho e ir ao banheiro. Depois de ajustar para outros fatores:

CondiçãoProbabilidade de dependência grave, comparada com quem não tem
AVCCerca de 6 vezes maior
Outras doenças mentais, como Alzheimer, demências, esquizofrenia e transtorno bipolarCerca de 4 vezes maior
Artrite ou reumatismo72% maior
Diabetes66% maior

Os autores também observaram que, quanto mais doenças ao mesmo tempo, maior a probabilidade de dependência. É um estudo de um único momento, que mostra associação, mas ajuda a entender por que prevenir AVC e cuidar da cognição e das articulações pesa tanto na velhice.

Doença por doença: o que o exercício pode fazer

Cada condição tem cuidados próprios, e há um texto específico para as principais. Este quadro é o mapa:

CondiçãoOnde ler
Pressão altahipertensão pode fazer musculação?
Diabetes tipo 2diabetes tipo 2 e musculação
Artrose no joelhoartrose no joelho pode fazer musculação?
Osteoporoseosteoporose pode fazer musculação?
Perda de músculo e forçasarcopenia, o que é e sarcopenia tem cura?
Alzheimer e demênciaexercício previne Alzheimer?
ParkinsonParkinson e exercício físico
Obesidade tratada com remédioMounjaro para idosos
Risco de quedaexercício para idoso fortalecer as pernas

Nos textos sobre demência e Parkinson, vale guardar a nuance: o exercício tem benefício documentado nos sintomas e na função, mas ainda não está provado que ele impeça ou retarde essas doenças. Os números estão em cada artigo.

O que vale para todas

Execução da elevação de panturrilha com apoio no banco

A diretriz de atividade física da Organização Mundial da Saúde, de 2020, foi escrita explicitamente para idosos que vivem com doenças crônicas e deficiências, e não só para os saudáveis. Três pontos dela servem para qualquer uma das condições da tabela:

  • Algum exercício é melhor que nenhum. Quem não alcança a recomendação deve começar com pouco e aumentar aos poucos.
  • Ser tão ativo quanto a capacidade permitir, ajustando o esforço ao próprio condicionamento.
  • Pedir orientação a um profissional de atividade física ou de saúde sobre tipo e quantidade de exercício adequados às suas necessidades, limitações, remédios e tratamento.

A mesma diretriz recomenda, para quem tem 65 anos ou mais, atividades que combinem equilíbrio e força em 3 ou mais dias por semana, para manter a capacidade funcional e prevenir quedas. Quanto fazer, o que conta como atividade física e onde praticar sem gastar estão em atividade física para idosos.

Por onde começar

Para quem está parado e convive com uma ou mais dessas doenças, três textos formam o caminho:

O que este artigo não responde

Se você tem alguma dessas doenças. O diagnóstico depende de consulta e exames.

Como tratar cada doença. Remédios e tratamento são definidos pelo médico; aqui o foco é o papel do exercício.

Quantos idosos têm demência, Parkinson ou osteoporose no Brasil. Essas condições não foram medidas da mesma forma na pesquisa usada aqui.

Se os números mudaram depois de 2019. Os percentuais deste texto são da edição de 2019 da pesquisa.

O resumo em cinco linhas

  • A pressão alta é a mais comum: 56,6% entre 65 e 74 anos e 62,1% com 75 ou mais.
  • Depois vêm coluna (cerca de 30%), colesterol (24% a 29%) e diabetes (cerca de 21%).
  • 51,6% dos idosos têm duas ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo.
  • Ter várias doenças mais que dobrou a chance de dificuldade nas atividades do dia a dia.
  • A OMS recomenda atividade física também para quem vive com doenças crônicas, com orientação.
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Referências

  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
  2. Oliveira-Figueiredo DST, Silva MPGPC, Feitosa PYO, et al. What is the burden of multimorbidity and the factors associated with its occurrence in elderly Brazilians? Revista Brasileira de Enfermagem, 2024. 22.728 idosos.
  3. Lopes Vieira MM, Borges VS, Oliveira EJP, Bof de Andrade F. Functional limitation in the older Brazilian adults: Association with multimorbidity and socioeconomic conditions. PLOS ONE, 2023.
  4. Reis Júnior WM, Ferreira LN, Molina-Bastos CG, et al. Prevalence of functional dependence and chronic diseases in the community-dwelling Brazilian older adults: an analysis by dependence severity and multimorbidity pattern. BMC Public Health, 2024. 11.177 idosos.
  5. Bull FC, Al-Ansari SS, Biddle S, et al. World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour. British Journal of Sports Medicine, 2020.

Antes de decidir qualquer coisa

Este texto é informativo e não substitui consulta. Nenhuma informação aqui serve como recomendação para o seu caso: quem pode avaliar o seu histórico, seus exames e o que é seguro para você é um médico, um nutricionista ou um profissional de educação física registrado. Quem escreve e revisa este blog não é profissional de saúde habilitado.

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